Infância Inesquecível

outubro 12, 2012

Hoje é Dia das Crianças, a data nos faz recordar os nossos bons tempos da infância, então perguntei à vários blogueiros e escritores, qual foi o seu brinquedo favorito na infância? Começando por mim, vamos voltar no tempo através de depoimentos:



"Meu brinquedo favorito e inesquecível, com certeza foi o Espirotot da Estrela, eu ganhei no Natal de 1975, tinha apenas 3 anos de idade, me recordo que passava o comercial na TV e me lembro até do jingle: Espirot, Espirot, vamos todos desenhar!. Meus pais perceberam desde cedo, essa minha vocação artística, pois eu adorava desenhar desde pequeno, quando minha mãe chegava das compras, eu corria logo para pegar os papéis de embrulho e tratava de desenhar, cobrindo cada centímetro do papel. Ficava horas desenhando com o Espirotot, mas como era muito pequeno, eu pisava em cima das réguas, até que quebraram.
Minha infância foi boa, embalada pela coleção Disquinho, eu ouvia as histórinhas e desenhava o que minha imaginação mandava.
Ao contrário dos outros garotos de minha idade, eu não gostava de carrinhos, curtia muito mais ganhar cadernos de desenho, giz de cera, massinha de modelar, aquarela, revistinhas de destacar e montar, Transfer, Kalkitos e revistas para colorir.
Na sala de aula, eu era tratado como o "alienígena da classe", era segregado, fui vítima de bulling, ninguém queria brincar comigo, pois eu sabia desenhar muito bem e as outras crianças não, era tratado como o "esquisitão". No recreio, eu geralmente ficava isolado num canto do pátio, lendo um livro ou gibi.
Meu pai era farmacêutico, eu adorava pegar caixinhas de remédio vazias e criar brinquedos de papel para me divertir com meus irmãos. 
No Dia das Crianças, nos anos 80, em que a inflação do país era altíssima e tudo subia de preço da noite para o dia, meus pais explicavam que os brinquedos eram caros e podiam comprar só no Natal, então eles compravam muitos doces para nós, para a data não passar em branco.
Adorava assistir o programa "Turma do Lambe-Lambe" que passava na Band, com o Daniel Azulay. Gostava muito das aulas de desenhos e aprender a fazer brinquedos com sucata. Essa foi a minha infância, que tenho muita saudade e francamente não queria voltar a ser criança nos dias de hoje, sinto pena dessa geração". 



Nilson Xavier, autor do livro Almanaque da Telenovela Brasileira, autor do site Teledramaturgia, também colunista do UOL e do Canal Viva, relembra com nostalgia do seu brinquedo favorito na infância:


"Meu presente inesquecível de infância não foi presente de meus pais.Em 1979 eu tinha 10 anos e aquele foi o primeiro Ano Internacional da Criança. Como gostava muito de desenhar - e desenhava razoavelmente bem -, eu participava em minha cidade de uma Escolinha de Artes Infantis. E foi lá que fiquei sabendo de um concurso promovido por uma loja de calçados infantis, que premiava o melhor trabalho artístico com o tema "Ano Internacional da Criança". 
Estimulado pela minha mãe, me inscrevi e, munido de uma folha grande de papel e canetinhas coloridas, desenhei e pintei várias crianças diferenciadas por nacionalidade e características étnicas. Meu desenho ficou em primeiro lugar e meu presente foi um Ferrorama XP 300 da Estrela, o modelo mais moderno da época. 
Aquele brinquedo fez a minha festa e de meu irmão (um ano mais novo), bem como primos e amigos de escola. Durante muito tempo, nos deliciamos com o Ferrorama. Até que os trilhos - que se ajustavam em pedaços para formar toda a rota do trenzinho - começaram a quebrar, o que impossibilitou a brincadeira. 
O Ferrorama, mesmo com trilhos quebrados, existe até hoje. Está com meus sobrinhos, filhos de meu irmão".



Andréa Granja, arquiteta pernambucana, do blog Sou Mais Minha Casa, recorda seus tempos de criança:


"A coisa mais difícil é dizer qual o brinquedo que mais me marcou na infância, porque eu amava receber presente, seja aquele da propaganda que eu queria, seja aquele da loja que me encantou, seja aquele de surpresa quando era "uma menina comportada" (todas mães dizem isso... hahaha) ou até os mais simples, como um caderninho de banca de revista pra pintar. 
Lembro bem do meu aniversário de 6 anos, em que o meu maior presente foi acordar com a cama cheia de presente. Como eu adorei aquilo!!! Não quis nem tomar café enquanto não abrisse todos. Nesse meio estava a casa e carro da Barbie que eu tanto queria e sonhava: casa de dois andares e carro rosa pink. Foi uma loucura!!! Quis montar ela na mesma hora e fiquei brincando o dia, a semana, o final de semana, as férias, a minha infância inteira praticamente. 
Adorava juntar minhas amigas, em especial Janaina, minha amiga-irmã, pra passar as férias comigo já que sou filha única. Era uma diversão só!!! O problema foi quando eu estava ficando mais velhinha e comecei a ficar dividida entre "a casinha da Barbie" ou as paixonites pelos amiguinhos do primo mais velho. O episódio mais engraçado e marcante foi certo dia, eu e Jana, é claro, combinamos de montar a casinha pra brincar. Passamos horas organizando tudo, quando, do nada, o interfone toca e avisam que meu primo está subindo com um amigo. Choque total!!! Corremos, desmontamos tudo (mais rápidas que "nos se vira nos trinta") e... Ufa!.. conseguimos! Ficamos toda faceiras, até que, meu primo viu uma boneca que esquecemos em cima do sofá e perguntou: tu ainda brinca de boneca? E eu: Euuuuu nãããããoooooo... Estou separando para doar! hahahahahaha.
Essa história minha mãe contou durante anos e, claro, no começo, quase enfiava minha cabeça no buraco! Mas hoje, confesso sem medo de ser feliz que fico doidinha pelas Barbies quando entro numa loja e sou doida pra ter uma filha pra poder comprar várias pra ela (ops, pra mim... hahahaha). Beijo e um super Feliz Dia das Crianças pra todos!!!".




Fábio Dias, do blog O Cabide FaLa, recorda o seu brinquedo inesquecível:

"Meu brinquedo favorito foi uma bicicleta! Eu morei até os oito anos de idade no campo. Quando minha família mudou-se para a cidade ganhei de um tio a minha primeira bicicleta! Era verdinha, uma Monark usada. Mal sabia andar, levei tantos tombos. Mas a emoção de dirigir aquilo me fez não desistir, mesmo com as inúmeras quedas! rs Cheguei a fraturar o braço algumas vezes. Desastre é o meu nome. Minha família não tinha tantas condições na época e eu tinha que dividi-la com meu irmão. O ciúmes era grande. As brigas eram constantes. Mas foi uma época feliz! Que saudades de ser criança!".



Lígia Fascioni, consultora e palestrante, escreve para o seu blog pessoal e é autora dos livros: Quem sua empresa pensa que é?, O design do designer, Atitude profissional: dicas para quem está começando e DNA Empresarial: identidade corporativa como referência estratégica. Ela recorda dos momentos de quando era criança:

"Tive a sorte de não nascer nos dias de hoje, em que as crianças quase não brincam mais. Joguei muita bola na rua, fiz manobras radicais de skate; vivia com os joelhos ralados e as roupas sujas. Que delícia chegar em casa exausta, tomar um banho quentinho e jantar a comidinha da mamãe. 
Tinha as bonecas também, claro, mas nunca fui muito de brincar de bebês. Preferia as Susies (nossa, agora entreguei mesmo a minha idade; a Barbie foi lançada quando eu já era adolescente), com suas roupas feitas de retalhos e móveis construídos com caixas de fósforos e embalagens diversas. Delícia. 
Dava para subir em árvores, escorregar de barrancos usando caixas de papelão como prancha e rolar na areia. Por falar em caixas, a felicidade das crianças da vizinhança era quando alguém comprava um fogão, uma geladeira ou mesmo uma TV nova. O evento não era tão comum como hoje e a caixa servia de esconderijo, caverna, casinha e o que mais a gente inventasse até se desintegrar completamente. 
Mas a estrela de todas as estrelas era a bicicleta, o sonho de consumo de todas as crianças daquela época. Minha mãe trouxe uma para casa (que ela comprou usada) justamente no dia em que os professores tiveram que me dar carona; eu tinha fraturado a clavícula num salto mortal mal sucedido na aula de ginástica olímpica. Frustração gigante, superada no dia seginte, quando descobri que dava para pilotar com uma mão só.
Mas depois que a gente cresce, a brincadeira pode continuar, é só a gente querer. De vez em quando brinco de pega-pega com meu marido quando está muito frio na rua. E viajamos nas nossas motos por lugares ermos. A gente chega sujo, suado, morto de cansado e de fome. Aí é achar uma pousada, tomar um banho, jantar e rejuvenescer 30 anos num dia de aventuras. 
Tem gente que ainda não percebeu, mas a moto é uma máquina do tempo disfarçada para quem sabe usá-la como brinquedo. Fica dica".



Daniel Couri, jornalista, escreve para o seu blog pessoal e também é autor do livro Made in Suécia: O Paraíso Pop do Abba. Também recorda do Ferrorama em sua infância:

"Um dos brinquedos favoritos da minha infância foi o Ferrorama, da Estrela. Ganhei quando tinha uns 4 ou 5 anos. 
Trenzinhos são clássicos, isso não é novidade. Mas o Ferrorama me marcou porque eu gostava de imaginar diferentes viagens a bordo dele. Mistérios, tramas, passeios... Era sempre o mesmo ritual de encaixar os trilhos, colocar as cancelas, ligar os vagões e observá-lo repetir o mesmo trajeto repetidas vezes. O trem, que funcionava à pilha, era controlado pelas alavancas e pelos desvios nos trilhos, o que dava ainda mais asas à minha imaginação. Também gostava de abrir as portinhas dos vagões, tentando enxergar o que eu imaginava que se passava ali dentro. De viagens bucólicas a loucas escapadas ou catástrofes. Fiz isso durante muitos anos, até que um dia resolvi compartilhar aquele prazer até então solitário com outras crianças na pracinha. Foi um desastre. A garotada, eufórica, avançou sobre o trenzinho. Cada um queria um vagão para si, todos queriam tocar, ver de perto e eu entrei em pânico (risos). Temi que a coisa fugisse de controle e que todos pisoteassem meu brinquedo favorito. Rapidamente tratei de guardar tudo na caixa novamente e nunca mais tive coragem de brincar com o Ferrorama na rua. Mas acho que meu ciúme valeu a pena, pois tenho esse brinquedo até hoje, na caixa e tudo. E lá se vão 28 anos!".



Lia Camargo, do blog Just Lia, relembra com carinho da Gulliverlândia, da brinquedos Gulliver, uma vila miniatura com pequenas casinhas e bonequinhos minúsculos, ela diz o que mais gostava nesse brinquedo

"A Lanchonete de Sucos era em formato de liquidificador, a Loja de Relógios era em formato de despertador… Tem coisa mais perfeita? XD Caramba eu passava horas fazendo historinhas com esses bonequinhos menores que uma borracha escolar".



Fábio Areias, do blog Propagandas de Bibi, relembra o que mais gostava do seu tempo quando era garoto: 

"Sou do tempo em que a maior maravilha tecnológica era um videocassete de quatro-cabeças. Uma época em que termos como celular, blog, iPad, Google e iPhone não tinham nenhum significado. Um mundo em que as pessoas não diziam as coisas em 140 caracteres. Um período em que os computadores nacionais eram sucatas patéticas e obsoletas protegidas por uma tenebrosa reserva de mercado. 
Posso afirmar que o gibi era a minha "internet" da época: meu refúgio para gastar muitos minutos, desbravar o mundo, me entreter e adquirir cultura útil e inútil. Historietas do Tio Patinhas, um pote de goiabada e um refrigerante em garrafa de vidro... o mundo poderia ser mais perfeito? 
Hoje o gibi representa muito menos do que já foi. Aquele papel colorido e pré-histórico está a caminho da extinção. Lamento que somente pessoas de cabelos brancos conhecerão a sua poesia. Ficou a evocação de noites paulistanas frias e chuvosas com os companheiros de toda uma infância. 
Infelizmente também sou um vendido. Me corrompi e troquei os gibi pela internet, larguei o pote de goiabada por um café da Starbucks e o pior de tudo...fiquei adulto. Triste fim!"



Rosana Silva, blogueira, do blog Simples Decoração, relembra os momentos de sua infância:

"O que eu mais queria ganhar na minha infância foi uma bicicleta. Minha madrinha me prometeu, mas acho que foi uma das primeiras decepções da minha vida: Só tive um bicicleta quando comecei a trabalhar e, quando a maioria quer ou compra um carro, eu comprei, toda feliz, minha primeira bicicleta! Mas 2 presentes que me marcaram positivamente na infância: O primeiro foi um carro vermelho de ferro grande que meu pai me deu... Era um carro de bombeiros e eu pedalava como uma louca... E o segundo. foi o único presente que ganhei de minha vó materna: Um boneca de borracha, careca (daquelas que o cabelo era pintado na cabeça) que coitada, eu pintei, risquei, aprontei com a pobre... Mas no fundo, no fundo, eu gostava dela!".



Rachel Martins, jornalista, da coluna Clique Nessa, da Revista AG do Jornal Gazeta, também relembra com ternura de sua infância:

"Quem viveu nas décadas de 1970 e 1980, quando ainda nem se pensava em computador e, consequentemente, na internet, viveu uma infância bem criativa. Eu, a caçula de quatro irmãos - sou a quinta, de uma escadinha que começou com uma menina e, depois, um menino, uma menina, um menino e uma menina (eu) - me divertia muito. E a diferença de idade entre nós é de, no máximo, dois anos. Imagine, isso, na época do Dia das Crianças? Eram cinco brinquedos diferentes e, claro, muita bagunça - e brigas.
Eu não era uma menina, digamos, convencional. Para começar detestava coisas de meninas - inclusive as roupas. Assim sendo, todos, começando pela minha família, passando pela escola e o bairro, na época morava em São Paulo, me chamavam de Joãozinho (diminutivo do nome de meu pai). Hoje isso seria considerado bullyng, risos. E não era para menos, nas minhas fotos apareço sempre em pose de menino. Numa delas, num clube chamado Solar dos Amigos, estou usando uma sunga, ao lado do meu irmão Maurício.
Minhas lembranças de infância são muito boas, de brincadeiras na rua ou no clube, de viagens de carro para Poços de Caldas, de acampamentos pelo litoral de Sampa, entre outras coisas. E em cada fase, lembro-me de um brinquedo. Ah! Detestava bonecas - por isso sempre pedia coisa de menino. São muitos os brinquedos que ficaram na minha memória: triciclo, bicicleta Caloi (Pai, não esqueça minha Caloi) com guidão em V, patins, Cai não Cai, Autorama, Detetive, Banco Imobiliário, Ludo, jogo de varetas, vaivém, bambolê, entre outros. Como não gostava de bonecas, as únicas que me lembro ter brincado muito foram todas da coleção Fejãozinho. Eram muito fofinhos!
Também lembro-me das centenas de álbuns de figurinhas que colecionei. Mas tem um álbum que marcou muito porque as figurinhas eram de lata - por isso ele ficava pesadão depois de completo. Outro álbum de figurinhas que também marcou foi o "Amar é..." Na escola, trocar figurinha era a brincadeira do recreio. E jogá-las para o alto - gritando Aleluia! era o máximo, pois víamos as crianças se jogando no chão para conseguir a sua. Era muito divertido. Outra coisa mulherzinha que também gostava era colecionar papel de carta - até hoje tenho minhas pastas. Os mais cotados eram os do Snoopy, os da Hallmark (que eram muito fofos) e os Holly Hobbie - normalmente importados.
Bem, mas tem um brinquedo que me marcou muito. Foi o Pega Pega Troll. Lembro-me direitinho do dia que ele chegou lá em casa - claro, deu até briga para brincar com ele. Era uma pista com uma casinha, uns predinhos... E tinham dois carrinhos (tipo gangster das décadas de 1930/1940), um amarelinho e outro vermelhinho. Um era o ladrão e o outro o bandido (hoje diriam não ser politicamente correto, risos). Você escolhia se queria ser o mocinho ou o vilão. Com um controle-remoto você tinha que guiar o seu carrinho pela pista. A polícia corria atrás do ladrão. Mas você podia acionar uns desvios na pista para enganar a polícia ou vice-versa. Passamos horas e dias brincando com ele - nós cinco. Esses, sem dúvida, eram bons momentos! Cheios de magia e amor."

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